Este ano deverá ser um dos mais quentes de que há registo, afundando o mundo ainda mais na crise climática e ameaçando “danos irreversíveis”, afirmam as Nações Unidas num novo relatório.
Os anos de 2023, 2024 e 2025 serão os anos mais quentes já registrados, com este ano está a caminho de ser o segundo ou terceiro mais quente de todos os tempos em 176 anos de registros, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM) no relatório divulgado na quinta-feira, antes da cúpula climática da ONU COP30, na próxima semana, no Brasil.
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O relatório da ONU apresentou algumas observações contundentes, incluindo avisos de que as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram novos máximos recordes, garantindo mais calor para o futuro, enquanto os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, terão sido individualmente os 11 anos mais quentes.
Juntos, estes desenvolvimentos deixam “claro que será virtualmente impossível limitar o aquecimento global a 1,5ºC (2,7ºF) nos próximos anos”, disse a chefe da OMM, Celeste Saulo, num comunicado, referindo-se aos acordos climáticos de Paris de 2015.
O pacto juridicamente vinculativo A limitação das emissões de gases com efeito de estufa visava fornecer ao mundo um roteiro para romper com os combustíveis fósseis que têm impulsionado a economia global desde a Revolução Industrial e procurava limitar o aquecimento global a bem abaixo dos 2ºC (3,6ºF) acima dos níveis pré-industriais, e a 1,5ºC, se possível.
Mas o mundo ficou aquém das suas obrigações de Paris, com a OMM agora diz limitar o aquecimento global aos objectivos do acordo de 2015 é virtualmente impossível.
“Esta série sem precedentes de altas temperaturas, combinada com o aumento recorde dos níveis de gases com efeito de estufa no ano passado, deixa claro que será virtualmente impossível limitar o aquecimento global a 1,5ºC nos próximos anos sem ultrapassar temporariamente esta meta”, disse Saulo. “Mas a ciência é igualmente clara ao afirmar que ainda é inteiramente possível e essencial reduzir as temperaturas para 1,5ºC até ao final do século.”
No relatório, a OMM afirma que a temperatura média próxima da superfície – cerca de 2 metros (6 pés) acima do solo – durante os primeiros oito meses deste ano situou-se em 1,42ºC (2,5ºF) acima da média pré-industrial.
Ao mesmo tempo, as concentrações de gases com efeito de estufa que retêm calor na atmosfera e o conteúdo de calor dos oceanos continuaram a aumentar este ano, acima dos níveis já recordes de 2024.
No seu relatório anual divulgado terça-feira, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente também confirmou que as emissões de gases com efeito de estufa aumentaram mais 2,3% no ano passado, um aumento impulsionado pela Índia, seguida pela China, Rússia e Indonésia.
O chefe da ONU, Antonio Guterres, classificou a incapacidade de limitar o aumento das temperaturas globais como um “fracasso moral” na quinta-feira, na abertura de uma cúpula de líderes no Brasil antes da COP30.
“Cada ano acima de 1,5 graus irá prejudicar as economias, aprofundar as desigualdades e infligir danos irreversíveis. Devemos agir agora, a grande velocidade e escala, para tornar a ultrapassagem tão pequena, tão curta e tão segura quanto possível – e trazer as temperaturas de volta abaixo de 1,5°C antes do final do século”, disse Guterres.
‘Avanços significativos’
A OMM disse que o impacto do aumento da temperatura pode ser visto na extensão do gelo marinho do Ártico, que, após o congelamento do inverno deste ano, foi o mais baixo já registrado.
A extensão do gelo marinho da Antártica, por sua vez, ficou bem abaixo da média ao longo do ano, disse.
A agência da ONU também destacou numerosos eventos extremos relacionados com o clima e o clima durante os primeiros oito meses de 2025, desde inundações devastadoras até calor brutal e incêndios florestais, com “impactos em cascata nas vidas, meios de subsistência e sistemas alimentares”.
Neste contexto, a OMM saudou “avanços significativos” nos sistemas de alerta precoce de múltiplos riscos, que sublinhou serem “mais cruciais do que nunca”.
Desde 2015, afirmou, o número de países que reportam tais sistemas mais do que duplicou, de 56 para 119.
Saudou em particular o progresso entre os países menos desenvolvidos do mundo e os pequenos estados insulares em desenvolvimento, que mostraram um aumento de 5 por cento no acesso só no ano passado.
No entanto, lamentou que 40 por cento dos países do mundo ainda não possuam tais sistemas de alerta precoce.
“É necessária uma acção urgente para colmatar estas lacunas restantes”, afirmou.
